
Na longa tradição de cantores e compositores atormentados por problemas psicológicos, amorosos e químicos, Mark Eitzel é um dos mais talentosos e pouco conhecidos. Com certa razão: à frente de sua banda, a American Music Club, gravou uma coleção de álbuns sombrios e introspectivos, alternando pesadelo, lamúria e fúria autodestrutiva em canções áridas e de pouco apelo comercial.
O tipo de coisa que você deveria ouvir.
Eitzel é uma mistura improvável de Jeff Tweedy, Elliott Smith, Leonard Cohen e Morrissey, com uma grande, grande voz e uma grande, grande monocelha. É daqueles infelizes que adoramos ver na merda, pois sua obra rende em relação diretamente proporcional à sua miséria emocional. E levando esse raciocínio sádico às últimas (in)consequências, é justo que fiquemos agradecidos pela existência da Aids, pois graças a ela e a sua eficácia que Eitzel, gay habitante de São Francisco, tenha escrito canções absolutamente maravilhosas em homenagem a amigos vítimas da doença, como Blue and Grey Shirt e Sick of Food.
Trata-se de uma discografia recheada de pérolas, mais do que seria razoável de empilhar num podcast, mas o Chorumecast assume o papel de cartão de visitas de Eitzel e seu American Music Club para os não familiarizados com seu trabalho. Recomenda-se ouvir à meia-luz, com um uísque na mão, recostado numa cadeira confortável.
- The Dance (2008)
- Nightwatchman (1987)
- Blue and Grey Shirt (1988)
- Johnny Mathis’ Feet (1993)
- The Sleeping Beauty (2008)
- Firefly (1988)
- Somewhere (1988)
- Sick of Food (1991)
- Go Away (1998)
- Western Sky (1988)
- Mom’s TV (1987)
- Gary’s Song (1987)
- Outside This Bar (1987)
- Decibels And The Little Pills (2008)
- Royal Cafe (1991)
- Sacred Heart (1996)
Foto: Elchicodelaleche
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D++++
bonitinho. eu pegava.