
O cover é uma instituição da música, e dela uma modalidade quase exclusiva – o equivalente no cinema seriam os remakes, mas estes são proporcionalmente menos numerosos. Seja como remodelagem fiel ou como experimento de plástica sonora, o cover nunca é a expressão do descaso. Há um sentimento no perpetrador da versão, uma intenção que não cabe no peito, ou mesmo um desgosto irônico que insiste em se manifestar e quase se fazer passar por amor. Cover é emoção.
Nesse sentido, cabe ao senador Eduardo Suplicy a tarefa de ser um dos mais dedicados praticantes do cover no Brasil, sempre com propósito e empolgação. Elementos mais do que desejáveis num performer, seja qual for seu gênero de atuação. Suplicy nos inspira a cantar e a ouvir música com mais carinho.
Em homenagem a esse showman nato, o chorumecast da semana recolhe belos e pertinentes exemplos de versões que merecem audição atenta, seja pela qualidade – como a versão de Caetano para uma das mais belas canções dos Beatles – ou pelo inusitado – como o Tears for Fears transformado em folk pelo Samamidon. Curtam as surpresas abaixo.
Intro. Eduardo Suplicy – O Homem na Estrada (Racionais MCs)
1. Erasmo Carlos – Paralelas (Belchior)
2. Caetano Veloso – For No One (Beatles)
3. Billy Bragg & Wilco – Secrets Of The Sea (Woody Guthrie)
4. Ramones – Out Of Time (Rolling Stones)
5. Numismata – Atômico Platônico (Vanusa)
6. Samamidon – Head Over Heels (Tears for Fears)
7. Rufus Wainwright – One Man Guy (Loudon Wainwright III)
8. Stevie Wonder – Light My Fire (The Doors)
9. Ronnie Von – My Cherie Amour (Stevie Wonder)
10. Ryan Adams – Wonderwall (Oasis)
11. Stereophonics – Handbags And Gladrags (Rod Stewart e outros)
12. Uncle Tupelo – Gimme Gimme Gimme (Black Flag)
13. Elliott Smith – Care of Cell 44 (The Zombies)
14. Iron Horse – Ride The Lightning (Metallica)
15. Johnny Cash – The Mercy Seat (Nick Cave)
16. Fagner – A Palo Seco (Belchior)
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7 comentários Postar um comentário ou enviar um trackback.
A minha verdade foi outra, não dá mais tempo pra mais nada PA PA PAAA
um belo chorumecast.
que demais o tema do office ali
Cara, esse negócio de versão é o máximo. É igual pegar o arroz do almoço, o feijão frio, uma carne velha e misutar ovo, farinha e fazer um mexidão. Delícia.
Eu faço uns negócios assim, quem quiser conferir:
http://otremdedoido.blogspot.com/2009/07/o-trem-de-doido-apresenta-musica_29.html
http://otremdedoido.blogspot.com/2009/07/o-trem-de-doido-apresenta-musica.html
http://otremdedoido.blogspot.com/2009/08/o-trem-de-doido-apresenta-musica.html
foda essa versão de fagner pra a palo seco, hein? todo um desespero ali no final, faca na aorta, sangue suor & lágrimas.
Achei bem legal o cover do Iron Horse, do Johnny Cash e tal, mas o que realmente me chamou a atenção foi o subtítulo deste blog, que a princípio tinha passado quase despercebido, mas depois eu li com mais atenção e fui atingido por um sentimento tenro de nostalgia, então me lembrei do que se tratava.
Fiquei ouvindo “Temporal” do Art Popular a noite inteira, repetidas vezes, e me emocionava a cada uma delas. Eram mais ou menos 6 da manhã quando eu ia escrever isso, mas fiquei com vergonha, que bobagem, né?
Bom fim de semana pra vocês.
Abraços.
É normal essa emoção, Pedro. “Temporal” é uma das maiores canções pop já gravadas no Brasil. Abraço
Ainda bem que eu te encontrei ontem no Sujinho. Milênios que eu esqueci que você tem blog! Paralelas com o Erasmo é foda, minha versão preferidíssima de todos os tempos. Beijo!