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chorumecast #3 – a guitarra é importante, porra!

jfox

Assim como o Senado brasileiro, a guitarra elétrica é uma instituição que sofre crises de prestígio cíclicas e aparentemente insuperáveis. Sempre volta ao topo, mas acumulando um certo desgaste, em permanente soma. E é mais do que sua reputação em declínio. Apesar do título dos populares jogos eletrônicos em voga, os guitar heroes de verdade andam minguando, sem deixar sucessores em número e quantidade de outrora. Les Paul é apenas um exemplo recente de abandono terreno.

Diante desse deprimente panorama, o chorumecast traz alento. Elencamos aqui faixas em que o protagonismo da guitarra se faz presente de forma audaciosa e petulante, sem pedir auxílio para artifícios hipsters como “texturas eletrônicas”, “mash up” e “jonas brothers”.

A seleção abaixo não busca salientar virtuosismos (ainda que existam) nem o gigantismo de lendas do rock consagradas (embora constem), mas recolher alguns poucos exemplos de excelência guitarrística executada com gosto e senso de propósito. O Built to Spill, que abre o programa, talvez seja o exemplo mais bem acabado de guitar band na ativa que funde virtuosismo e canção. Mas há diversas variações possíveis, como a classe inabalável do Wilco, o metal absurdamente criativo do Mastodon, o fuzz sem limites do Hüsker Du e o pop elétrico do Teenage Fanclub – cujo som, tese minha, deve tudo a And Your Bird Can Sing, dos Beatles. Vão vendo.

  1. Built to Spill - Conventional Wisdom
  2. Derek and the Dominoes – Anyday
  3. Television – Venus
  4. Beatles – And Your Bird Can Sing
  5. Teenage Fanclub – The Concept
  6. Stephen Malkmus – Witch Mountain Bridge
  7. Hüsker Du – Chartered Trips
  8. Wilco – Impossible Germany
  9. Queens of the Stone Age – Better Living Through Chemistry
  10. Mastodon – Capillarian Crest
  11. Mission of Burma – Secrets
  12. Neil Young – Cortez the Killer
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teorias

inteligência é pouco

Relendo uma Bizz de anos atrás, tropeço em uma resenha de Ventura, do Los Hermanos, que apresenta o álbum como alento a quem buscava “mais neurônios que hormônios no rock brasileiro”. Qual o problema com os hormônios? Tem gente que procura mesmo esse tipo de coisa?

Claro, deve ser a mesma turma em busca do famigerado humor inteligente. Ou de qualquer alternativa “inteligente” a algo. Palpite: buscarão em vão até o fim de suas existências. Pelo menos nesses termos.

A validação das coisas pelo critério da “inteligência” sempre me parece ser um artifício pra instrumentalizar a vida: ouço tal coisa pois me faz mais inteligente; rio de fulano porque suas piadas me fazem pensar etc. É a lógica do texto publicitário se apossando das escolhas pessoais. Toda opção deve oferecer uma vantagem clara e mensurável. Isso valeria pra tudo, desde a marca de sabão em pó (a que “rende mais”, a que “deixa mais branco”) até o tipo de filme que se vê (o que trata de “temas sociais”; o que “problematiza um problema contemporâneo importante”).

Além disso, o que se julga inteligente na maioria das vezes não é tão diferente assim da opção “não-inteligente”. São grandes as chances de ser simplesmente pior pela motivação restritiva.

Um exemplo que dou é o de George Carlin. Quem viu seus especiais na HBO nos últimos anos antes de sua morte sabe: seu stand-up não era “inteligente”. Se fosse apenas isso, seria limitado e comum. Não: oscilava entre o francamente grosseiro (ele falando de “pussy farts” é de chorar, vejam no vídeo abaixo), o agressivo e o nonsense até o poético, o angustiado e o doce.

Fazer pensar qualquer um faz -- diabos, o cérebro tem plena capacidade de pensar a partir de qualquer coisa, mesmo a partir de estímulo quase zero. Nossas funções intelectuais e sensoriais são capazes de absorver muito mais do que isso. E -- ah, o melhor de tudo -- sem propósito nenhum, quando possível. A música pode ser bonita e bastar. A piada pode fazer rir -- e bastar. Não é suficiente?

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podcast

chorumecast #2 – doze réplicas a John Cage

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Em 1952, John Cage propôs que ouvíssemos 4 minutos e 33 segundos de silêncio e refletíssemos sobre como a aparente ausência de som pode ser um elemento fundamental da música; sobre a natureza ilusória do silêncio quando na verdade estamos rodeados de som o tempo todo; sobre como 4′33″ podem parecer infinitamente mais longos quando ouvimos a músicos ociosos de posse de um cronômetro.

Em resposta à empolgante ideia do lendário compositor John Cage, aceito o desafio não proposto de tomar essa medida arbitrária de tempo e preenchê-la com exemplares variados de música, sem qualquer vínculo ou parentesco sonoro entre eles a não ser o do embuste da duração de 4′33″ (à qual aplicamos módica margem de erro, para mais ou para menos, de um único segundo; o ouvinte e leitor compreenderá).

Há, evidentemente, a curadoria apurada da equipe responsável pelo chorumecast, como já é tradição há uma semana. O recorte do tempo levou a boas surpresas e redescobertas, como o post-punk TRAMPADO do Wilderness e do lendário Mission of Burma (que vou fazer de tudo pra incluir sempre que puder nesse podcast), o sludge destruidor do Melvins ou o pop rock certeiríssimo do Som da Rua, banda carioca que acabou em 2007. Fora medalhões & graúdos da estirpe de Neil Young, Deep Purple e Led Zeppelin, em faixas colhidas com zelo. Meditem com esse ruído.

  1. Mission of Burma – Einstein’s Day
  2. Gilberto Gil – 2001
  3. Scott Walker - The Amorous Humphrey Plugg
  4. Led Zeppelin – Black Country Woman
  5. Wilderness – End Of Freedom
  6. Neil Young – Tired Eyes
  7. Som da Rua – Tão suspeitos
  8. Soundgarden – Dusty
  9. The Melvins – Going Blind
  10. Jards Macalé – Farinha do Deprezo
  11. Tom Waits – All The Time
  12. Deep Purple – Space Truckin’
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cinema

o melhor argumento cinematográfico

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Tenho de compartilhar isso. Em visita à residência do amigo Guilherme Gaspar, mirei sua afiada coleção de DVDs e, detendo-me sobre a porção de filmes asiáticos, pedi uma indicação de filme “louco, com gente voando, delírio total, gente se quebrando no meio”, algo assim. Ele rapidamente entendeu a demanda e me passou a caixa de Combate Mortal. E frisou o título em inglês, CRIPPLED AVENGERS, com um sorriso maroto.

Só a caminho de casa que li a sinopse. Foi aí que começou o êxtase. Vou apenas transcrevê-la, exatamente como consta da caixa (com grifos meus).

Um mestre do Kung-fu encontra sua esposa assassinada e seu filho com os braços amputados por três desafiantes que invadiram sua casa em busca de vingança. Ele usa sua incrível habilidade no estilo tigre para matá-los. Esse incidente o torna uma pessoa amarga e vingativa e quando seu filho cresce, usando braços de metal, aprende seu poderoso estilo de Kung-fu. Cada vez mais ele se torna intolerante e juntamente com o filho aleijam a todos aqueles que os desagradam, deixando a cidade aterrorizada. Quatro de suas vítimas, um cego, um surdo-mudo, um sem pernas, juntamente com um lutador de Kung-fu que ficou retardado, resolvem reagir e após três anos de treinamento partem para a vingança numa incrível sucessão de combates. Também conhecido como “A volta dos 5 Venenos”, é considerado um dos melhores filmes do cultuado diretor Chang Cheh.

É ou não uma das melhores sinopses de todos os tempos? Tô até com medo de assistir e ter uma explosão mental.

Atualização: Vi o filme, e é realmente ótimo. A sinopse não mente em nada, o filme avança exatamente do jeito que se espera, e muito rápido – toda a história de formação dos vilões se resolve em menos de três minutos, é sensacional. Aliás, isso que me agradou primeiro no argumento: o fato dos vilões terem sua origem como o ponto de partida de tudo o que vem depois. Em nenhum momento eles deixam de agir fora do compasso moral deformado que se espera de um bom vilão, mas ao mesmo tempo estamos o tempo todo cientes de suas motivações.

Recomendo muito esse filme (o Guilherme nos informa o torrent). Além da história ser formidável, as cenas de ação são MUITO FODA. Acrobacias absurdas até em cenas banais, geralmente oferecidas pelo maravilhoso personagem do mestre de kung fu retardado. Sim.

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2000s, cinema, primeira vista

“inimigos públicos”, de michael mann

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É triste dizer, mas a meio caminho de Inimigos Públicos a sensação era de resignação: não é, afinal, o grande filme de Michael Mann da década que eu esperava (fico com Colateral), mas apenas um belo filme defeituoso de nascença.

Boa parte da filmografia de Mann funda-se no confronto de duplos, geralmente de lados opostos. Fogo Contra Fogo talvez seja seu exemplar mais bem acabado dessa estrutura, uma obra prima em que dois gênios, Al Pacino e Robert De Niro, duelam por três horas quase sem se encontrar. Claro, há o detalhe fundamental: não é apenas mérito dos atores, mas principalmente de um roteiro que lhes permite percorrer uma trilha paralela cheia de sentido.

O roteiro de “Inimigos Públicos” é desproporcionalmente simpático a Johnny Depp e seu John Dillinger, sempre o cara mais frio e esperto da sala, o tempo todo, em todos os planos de existência. Seu duplo, o policial interpretado por Christian Bale, é oco e reto quanto o cano do rifle que empunha no começo do filme, numa das poucas cenas que estabelece sua personalidade, mesmo assim de forma capenga. Não vejo como culpar Bale por ser opaco ou Depp por ser excessivamente canastrão: a história não parece lhes dar saída.

O que sobra ao menos não é pouco: a deusa Marion Cotillard, linda de doer num papel doce e sofrido, e as cenas de tiroteio absolutamente orgiásticas.

Não é exagero afirmar que entro em êxtase completo nas trocas de tiro desse filme, ou em qualquer filme do Mann. A sonoplastia no talo e a ausência de trilha sonora dramática devem causar transtorno profundo em qualquer espectador à procura de “plasticidade” nos tiroteiros do homem. São cenas brutas como pouca coisa em cartaz, que deixam um gosto metálico de tensão ruim na língua.

E descrevo tudo isso como um feito positivo.

É o oposto do que faz outro gênio desse artesanato, o John Woo, em que o tiroteio é dança e delírio febril. Em contraste, fica como exemplo a sequência da floresta em Inimigos Públicos, um dos maiores materiais de pesadelo que vi esse ano em salas de cinema.

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podcast

chorumecast #1 – caipiragem & margem de erro

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Eis o CHORUMECAST no ar, puro sumo musical para alegrar suas incursões selvagens pela web. O plano aqui é tentar fazer uma seleção semanal, sempre em torno de um tema ou ideia. O nível de ridículo dos assuntos oscilará.

Para a estreia, preferi uma escolha mais afetiva. Em princípio queria juntar canções de alt.country, o tal “country alternativo”, definição um tanto genérica para quase qualquer desvio do country tradicional norte-americano. Na prática, um nome que me ocorre imediatamente é o do Uncle Tupelo, banda de Jeff Tweedy antes do Wilco. Caipiragem apaixonada e ruidosa, punk-rural. É o som que eu gostaria de tirar se tivesse uma banda, em resumo.

Um setlist em torno dessa premissa rapidamente se dissolveu em nomes mais ou menos próximos da definição. Num lado mais “puro”, lembrei de Gram Parsons e os slides destruidores de Still Feeling Blue; o country INSANO que o Erasmo Carlos gravou no petardo Banda dos Contentes, de 1976; a doçura vintage de Forget the Flowers, do Wilco. A rigor, cabe até Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho aqui, representando a música de roça brasileira por excelência.

Num lado oposto da escala, onde as misturas começam a ficar nubladas, entram coisas como o lamento eletrificado do American Music Club em Clouds ou a pegada mariachi do Calexico.

Ouvindo fará sentido, garanto.

  • Erasmo Carlos – Billy Dinamite
  • Varnaline – Gulf Of Mexico
  • American Music Club – Clouds
  • Uncle Tupelo – High Water
  • WILCO - Forget The Flowers
  • The Band – Rag Mama Rag
  • Ryan Adams & The Cardinals – Sink Ships
  • The Shins - Gone For Good
  • Richard Hawley - Just Like The Rain
  • Renato Teixeira e Pena Branca & Xavantinho - Vide, Vida Marvada
  • Gram Parsons – Still Feeling Blue
  • Neal Casal – So Far Astray
  • Neil Young – Hold Back The Tears
  • Golden Smog - Lost Love
  • Rafael Castro – Não Reclama, Isabel
  • The Who – I’m One
  • Cake – She’ll Come Back to Me
  • Calexico – Close Behind
<div style=”font-size: 11px;”> <div style=”padding-top: 5px;”><a href=”http://soundcloud.com/generico/chorumecast-1″>chorumecast #1</a>  by  <a href=”http://soundcloud.com/generico”>generico</a></div></div>
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jornalismo

cúpula da caracu com ovo

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Você viu a foto: Obama virando uma cervejinha em companhia dos protagonistas do maior rolo racial nos EUA das últimas semanas – eles são potência mundial na produção desse tipo de polêmica. Pra quem não acompanhou, o professor Henry Gates (apenas o intelectual negro mais importante do país) chegava em casa de uma viagem e, com problemas para abrir a porta, começou a forçá-la. Uma vizinha vê o movimento e  liga para a polícia, que chega e enquadra Gates. Ele prova que mora na casa e fica puto com a situação toda. O policial, se dizendo ameaçado pelo negão de bengala (ops), prende-o. Obama, dias depois, chama – corretamente – a atitude do policial de estúpida.

Pra apaziguar os ânimos, a Casa Branca se saiu com esse encontro descontraído no jardim. A mídia americana se deleitou com a história, discutindo seu simbolismo e seu timing em meio a discussões sobre reforma do sistema de saúde do país e, inclusive, tecendo análises pormenorizadas sobre o significado subjacente à escolha da cerveja que cada um degustou no papo (a saber: uma Bud Light para Obama, uma Red Stripe para Gates, uma Blue Moon para o policial, aparentemente todas PÉSSIMAS).

Fiquei imaginando o tipo de reação que algo parecido teria no Brasil. A primeira onda de piadas sobre os hábitos alcoólicos de Lula assolaria o Twitter em pouco tempo, além de emplacar um providencial #pingaday nos trending topics do dia, sem muito esforço. A cobertura sobre o encontro seria sutilmente seguida por reportagens sobre os números mais recentes da Lei Seca, lidos com expressão sisuda por Fátima Bernardes. Sem demora, alguma associação religiosa condenaria o encontro. O CQC enviaria Danilo Gentili para Brasília, incumbindo-o de entregar um bafômetro para Lula. No Casseta & Planeta, a paródia se resumiria a um musical sobre a melodia de Cerveja, de Leandro e Leonardo. Dayvid Braga gravaria um vídeo, julgando a história toda um tanto quanto estranha. Diogo Mainardi declararia em sua coluna que “Lula bebeu o morto. O morto sou eu. Sou o morto que Lula e o PT visitam no funeral e bebem sem remorso”. Datena ia achar tudo uma palhaçada, “com todo respeito à figura do Lula”. É, seria algo assim.

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internet

recomeço

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A mudança de hospedagem de blog tem boa justificativa: integrar o conglomerado Interbarney.com, a convite de seu CEO Chico Barney, figura notória da internet brasileira e ativista da liberdade de expressão por meio do pagode. Irrecusável.

O blog em si muda pouco: nunca teve muito rumo, e não deve ganhar um agora. Ganha, isso sim, um PODCAST, que já estreia no próximo post em breve.

A lista de filmes que eu empilhava no O que vi migrou para cá. Algo também já feito tanto com o arquivo do blog em sua encarnação anterior (2005-2009), no Blogsome, quanto com os posts do blog mais anterior ainda, o honky bach (2004-2005). São, portanto, uns 5 anos de textos constrangedores agrupados e categorizados para felicidade dos detratores.

Pra ilustrar o recomeço, num clima de nostalgia gostosa, uso imagem que adornava o site anterior. Nunca a expliquei, mas é simples: é de Irma la Douce (1963), filme do Billy Wilder de que mais gosto – logo, um dos meus favoritos de todos os tempos.

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cinema

sobre ser outsider

Autobiografia do diretor Alejandro Jodorowsky, rabiscada em 1988:

“Was born in Bolivia, of Russian parents, lived in Chile, worked in Paris, was the partner of Marcel Marceau, founded the ‘Panic’ movement with Fernando Arrabal, directed 100 plays in Mexico, drew a comic strip, made ‘El Topo,’ and now lives in the United States — having not been accepted anywhere, because in Bolivia I was a Russian, in Chile I was a Jew, in Paris I was a Chilean, in Mexico I was French, and now, in America, I am a Mexican.”

A propósito, finalmente assisti a “El Topo“. Recomendo-o na mesma medida em que sou incapaz de falar coerentemente sobre ele.

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jornalismo, literatura

nunca é fácil

Toda ilusão de caminho fácil está fadada ao fracasso. Trecho da entrevista do Gay Talese na Paris Review:

INTERVIEWER
Why did you choose journalism as a major?

TALESE
The main reason was that it seemed like the easiest thing to do.

Aí você topa com o rascunho de “Frank Sinatra Está Resfriado”, sua reportagem mais conhecida e um clássico incontestável das faculdades de jornalismo:

talesems_410
Clique para ver maior

INTERVIEWER
Did you write as slowly and carefully then as you do now?

TALESE
All the other reporters of my generation would come back from an assignment and be done with their piece in a half hour. For the rest of the afternoon they’d be reading books or playing cards or drinking coffee in the cafeteria, and I was always very much alone. I didn’t carry on conversations during those hours. I just wanted to make my article perfect, or as good as I could get it. So I rewrote and rewrote, feeling that I needed every minute of the working day to improve my work. I did this because I didn’t believe that it was just journalism, thrown away the next day with the trash. I always had a sense of tomorrow. I never turned in anything more than two minutes before deadline. It was never easy, I felt I had only one chance.

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