
Assim como o Senado brasileiro, a guitarra elétrica é uma instituição que sofre crises de prestígio cíclicas e aparentemente insuperáveis. Sempre volta ao topo, mas acumulando um certo desgaste, em permanente soma. E é mais do que sua reputação em declínio. Apesar do título dos populares jogos eletrônicos em voga, os guitar heroes de verdade andam minguando, sem deixar sucessores em número e quantidade de outrora. Les Paul é apenas um exemplo recente de abandono terreno.
Diante desse deprimente panorama, o chorumecast traz alento. Elencamos aqui faixas em que o protagonismo da guitarra se faz presente de forma audaciosa e petulante, sem pedir auxílio para artifícios hipsters como “texturas eletrônicas”, “mash up” e “jonas brothers”.
A seleção abaixo não busca salientar virtuosismos (ainda que existam) nem o gigantismo de lendas do rock consagradas (embora constem), mas recolher alguns poucos exemplos de excelência guitarrística executada com gosto e senso de propósito. O Built to Spill, que abre o programa, talvez seja o exemplo mais bem acabado de guitar band na ativa que funde virtuosismo e canção. Mas há diversas variações possíveis, como a classe inabalável do Wilco, o metal absurdamente criativo do Mastodon, o fuzz sem limites do Hüsker Du e o pop elétrico do Teenage Fanclub – cujo som, tese minha, deve tudo a And Your Bird Can Sing, dos Beatles. Vão vendo.
- Built to Spill - Conventional Wisdom
- Derek and the Dominoes – Anyday
- Television – Venus
- Beatles – And Your Bird Can Sing
- Teenage Fanclub – The Concept
- Stephen Malkmus – Witch Mountain Bridge
- Hüsker Du – Chartered Trips
- Wilco – Impossible Germany
- Queens of the Stone Age – Better Living Through Chemistry
- Mastodon – Capillarian Crest
- Mission of Burma – Secrets
- Neil Young – Cortez the Killer







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