música

você vai levando

Uma parábola rápida sobre a atitude rock ‘n roll.

Em novembro de 1976, a The Band (artigo seguido de artigo, eu sei, mas que diabos, é a THE BAND) faria seu show de despedida e Martin Scorsese é convidado para gravar tudo e transformar num documentário, que viria a se chamar The Last Waltz. Haveria convidados, uma lista relativamente longa deles, como Dylan, Van Morrison e Clapton. E Neil Young.

Ele sobe ao palco para tocar Helpless, um tanto pálido. A performance não é das melhores, a banda não acompanha corretamente a música de Young, os vocais ficam abaixo da média etc. Mas nada muito diferente das demais performances da noite, um tanto quanto irregulares.

Quando conferia o material filmado, Scorsese -- e todo mundo que assistiu ao material -- pôde ver claramente um PEDREGULHO DE COCA pendurado na narina esquerda de Young.

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Infográfico localiza região exata da concentração de pó em discussão. Arte/Interbarney

Ao ver a cena, o empresário de Young, Elliot Roberts, surtou. “Era enorme -- como um M&M branco. Se alguém pesasse, deveria ter uns 2 gramas”, relata, segundo consta da biografia do Neil Young, Shakey. Scorsese e Robbie Robertson, guitarrista da banda e produtor do filme, queriam deixar a cena intacta. “É perfeito, é rock ‘n roll, é a coisa de verdade”, argumentava Scorsese. Mas Roberts, o empresário, insistiu. Afinal, numa tela de cinema o grão se tornaria um grande meteoro de pó no nariz de seu cliente. A solução, que custou alguns milhares de dólares, foi remover a trolha branca com rotoscopia -- retoque manual frame a frame. “É a cocaína mais cara que já comprei”, lamentou Robertson. Por algum motivo, a cena surge sem adulterações na versão doméstica do filme.

E Young? Segurem o relato, mal traduzido da biografia dele:

É incrível que eu não tenha morrido depois desse show. As coisas que fizemos. Jesus Cristo. (…) Sou um péssimo drogado. Quando tomo drogas, tomo demais e fico todo fodido e fico um tempão sem tomar de novo. Drogas não têm um papel tão importante, na verdade. Mesmo. Elas estavam lá, muita gente se drogava, eu me drogava e houve noites em que me droguei demais e fui estúpido. Agora fico grato de estar aqui e perceber quão estúpido eu fui. Seria melhor estar aqui e me sentir esperto, mas, sabe, você vai levando.

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6 comentários Postar um comentário ou enviar um trackback.

  1. moskito, 19/9/09

    Sensacional esta história.

  2. Seu Felipe, 19/9/09

    grande história, tinha lido na biografia da capa preta do dylan, como segue http://seufelipe.tumblr.com/post/48802808/nos-bastidores-havia-uma-sala-para-coca-na

    • Daniel Lima, 19/9/09

      Podecrer, tb li essa biografia. Tava tentando lembrar em que outro lugar tinha lido sobre a mesma história, valeu.

  3. lgdanner, 20/9/09

    Louvável. Mas nego insiste em procurar na história dos outros. A cena musical brasileira teve e tem muita coisa mais absurda do q um ‘meteoro’. Cazuza é uma criança perto da turma de Charles Master.

  4. Eduardo Herrmann, 20/9/09

    Porra, eu sempre achei muito boa essa parte do show (mesmo sem saber da história hehe)

  5. Bruce, 19/5/10

    Louvável. Mas nego insiste em procurar na história dos outros. A cena musical brasileira teve e tem muita coisa mais absurda do q um ‘meteoro’. Cazuza é uma criança perto da turma de Charles Master.

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