
Talvez pela falta de imaginação da suposta categoria “A” do cinema ultimamente, há grande esforço e investimento em promover Distrito 9 de sua natureza “B” para a classe mais alta, que ganha atenção e olhares sérios, essa validação flácida que se costuma oferecer a filmes “que acrescentam”.
A credencial “A” deve tudo à trama de mão pesada que evoca o Apartheid, a redenção pelo tornar-se-o-outro, a metáfora da xenofobia e do racismo. É a tradicional premiação automática a temas considerados importantes, por um motivo ou outro – geralmente o acaso que elege a pedra da vez na roleta do politicamente correto.
Distrito 9 é um filme que merece, um dia, ser salvo da respeitabilidade que tentam lhe imputar – e que, provavelmente, sua seriedade excessiva incentiva. É um ótimo sci-fi: imaginativo, executado com paixão evidente, filmado com competência e muito criativo na maioria de suas soluções visuais (tirando o design nos ETs, bem fraco).
Ao mesmo tempo, é ingênuo e óbvio no desenvolvimento da trama, além de didático demais – didatismo camuflado no tratamento “documental” de parte do filme, ideia que funcionou melhor no trailer do que no produto acabado. E a ação no terceiro ato é boa, mas nada especialmente divertido.
O melhor mesmo é ver a estreia do Neill Blomkamp, bom diretor jovem e com as conexões certas (Peter Jackson, bicho!). Há potencial aí.
RSS do blog
Um comentário Postar um comentário ou enviar um trackback.
Perfeito.
Os CGI dos equipamentos, nave e robô de batalha da cena final é bonzão. Já os CGI dos Ets são fracos. A movimentação deles em algumas cenas faz lembrar inserções 3D de seriados sem orçamento. Em outra cenas eles estão mais naturais, mas não salvam.