Clint, esse velhinho maravilhoso, é talvez o único diretor americano em atividade com condição de fazer filmes com grande senso de moral sem que soem moralistas. Aqui, a relação do protagonista Walt Kowalski, um veterano da Guerra da Coréia, com o “outro” – figura que assume ares de vilão de filmes de horror e catalisador de críticas ao “nós” em filmes panfletários – é reservada: é preciso conhecê-lo, já que não são todos iguais. Na verdade, a própria relação com o “nós” é passível de reavaliação, como a de Walt com a própria família. Assim como em “Menina de Ouro”, os laços de sangue significam pouco, e o acerto com deus significa menos ainda se não há o acerto consigo próprio.
É daqueles clássicos instantâneos que desperta a velha pergunta retórica “porque não fazem mais filmes como esse?”. A resposta é, em parte, simples: porque é preciso talento. E, principalmente, clareza, tanto sobre a natureza das próprias certezas quanto sobre a extensão das próprias dúvidas.
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Pô, bicho, achei bem fraquinho, viu. As cenas que o Kowalski grunhe são engraçadas no começo, mas depois ficam meio patéticas. E achei medíocre a atuação dos vizinhos jovens.
Enfim, senti POTENCIAL de clássico, mas não fiquei convencido.