Gostava, mesmo que sem tanto entusiasmo, de Amy Winehouse. Toda a conversa da “maldição dos 27″ pode até ser curiosa e tal, mas tenho outros nomes em mente quando penso em perdas musicais precoces – gente cujo talento imenso deixa a gente se perguntando, sem resposta, sobre os caminhos que tomariam caso vivessem e produzissem por mais algumas décadas. Eis aqui um ranking pessoal, só com músicos que morreram antes dos 30 anos.
3. Gram Parsons
Mestre country de primeira grandeza. Diferente dos outros dois nomes da lista, deixou obra até que razoável em quantidade: um álbum no Byrds, dois com o Flying Burrito Brothers e dois clássicos irrepreensíveis como artista solo, GP e Grievous Angel. Fazia um som ao mesmo tempo puro e moderno, com canções capazes de prospectar sua alma como uma broca da Petrobras. Ouvir $ 1.000 Wedding sem se emocionar é um atestado de óbito moral. Morreu aos 26 anos, num quarto de hotel, depois de se encharcar em álcool e morfina.
♫ $ 1.000 Wedding | Still Feeling Blue | Wheels
2. Duane Allman
Talvez a única ameaça real ao reinado de Jimi Hendrix. Branquelo, sulista e constantemente drogado (acima da elevada média da época), manjava tudo de blues e improvisava como poucos. Para se ter uma ideia do poder de fogo do rapaz, há duas ótimas amostras disponíveis: o álbum ao vivo Live at Fillmore East, de sua banda fraternal, o Allman Brothers – não é um disco comum de uma banda de southern rock…; e o clássico do Derek and the Dominoes, Layla and Other Assorted Love Songs. Depois de ouvir o solo de Allman no final da versão de Wilson Pickett para Hey Jude, Eric Clapton saiu de forma desesperada à caça de Allman. Arrastou-o para o estúdio e, como resultado, fizeram um dos maiores discos de guitarreira da história do rock, e com certa vantagem para Allman. Para ouvir a diferença: Clapton toca Fender; Allman, Gibson – e muito slide. Morreu antes de completar 25 anos, acidente de moto.
♫ Statesboro Blues (c/ Allman Brothers Band) | Hey Jude (c/ Wilson Pickett) | Any Day (Derek and the Dominos)
1. Nick Drake
Era um enigma em forma de gente, críptico até mesmo para a família e amigos próximos (até onde era possível). Mal lançou o primeiro disco e decidiu evitar ao máximo as performances ao vivo. Entocou-se numa casinha no campo com seus baseados, discos, antidepressivos e sinais iniciais de psicose. O terceiro álbum, Pink Moon, é um dos discos mais assombrosos já lançados. Morreu aos 26. Tinha problemas psicológicos graves, e pensar no que seria sua vida parece ser, necessariamente, imaginar a trajetória de alguém que de alguma forma tivesse superado doenças mentais e sofrimentos emocionais imensos. Como sua obra teria sido afetada por essa evolução? Meu palpite, 100% fantasioso, é que permaneceria recluso e lançaria discos em longos intervalos, invariavelmente surpreendendo a todos com os resultados. Gostaria de ouvir esses discos.
♫ Northern Sky | Fruit Tree | Things Behind the Sun